terça-feira, 5 de setembro de 2006

[Mochilão 3] Dia 5: Nápoles - Pompéia - Herculano

Acordei cedo, às 8:00. Café da manhã no albergue de novo com muito pão com Nutella. Não tinha nem manteiga como opção....mas quem disse que eu preferia manteiga ??

Fui caminhando para a estação central de trens. Na rua ao lado, uma feira:

DSC00282.jpg

Comprei uma garrafa grande de água mineral, pois estava bem quente.

Peguei o trem da linha Circumvesuviana, que passa aos pés do Vulcão Vesúvio, onde há várias cidades.

Após meia hora de viagem, desci na estação Pompeii Scavi Villa Misteri.

O sítio arqueológico de Pompéia é um dos mais impressionantes do mundo, patrimônio cultural da UNESCO. Pompéia era uma típica cidade romana aos pés do vulcão Vesúvio. No ano 79, uma grande erupção soterrou a cidade com 2 metros de lava e 15 metros de cinzas e pedra, mastando todos os 20 mil habitantes. A cidade permaneceu soterrada até 1748, quando foi descoberta por acaso. Justamente por ter ficado soterrada durante este tempo, as construções de Pompéia estão incrivelmente conservadas, permitindo que os visitantes conheçam com detalhes como viviam os romanos há 2000 anos. É uma experiência única no mundo. Ruas, residências, arenas, templos, edifícios públicos, termas, padarias, restaurantes, e até um prostíbulo podem ser visitados. Os tetos das construções cedeu com o peso das cinzas, e muitos objetos foram levados para o Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, mas as edificações guardam detalhes impressionantes, como belos mosaicos (em paredes ou no piso), afrescos (pinturas) nas paredes, estátuas, jardins, utensílios de cozinha (como fogões primitivos e panelas de barro), e inscrições nas paredes em latim, a língua falada pelos romanos.

O lugar é tão grande que é difícil conhecer todas as atrações num único dia. Na bilheteria, os visitantes ganham um mapa para que possam localizar as atrações e andar pelas ruas de Pompéia sem se perder.

A Basilica, que era o edifício da Justiça:

DSC00285.jpg

Uma lareira dentro de uma residência:

7DSC00291.jpg

Uma das ruas de Pompéia, incrivelmente preservada depois de 2000 anos. Repare o calçamento original, as calçadas e as fachadas das residências:

DSC00292.jpg

DSC00295.jpg

Um mosaico no piso de uma casa:

DSC00293.jpg

O Lupanário, que era o prostíbulo da cidade. "Lupa", em latim, significa prostituta. As prostitutas de Pompéia eram escravas, em geral gregas e orientais. As pequenas cabines tem uma cama de pedra, e acima da porta, uma pintura erótica indica a especialidade da prostituta:

DSC00299.jpg

0DSC00347.jpg

5DSC00345.jpg

1DSC00348.jpg

Uma piscina, em uma das termas da cidade:

DSC00304.jpg

O corpo de uma das vítimas, moldado pelas cinzas e pela lama:

DSC00306.jpg

O Grande Teatro (para 5 mil pessoas), usado em espetáculos de dança e música:

DSC00313.jpg

Pavilhão do Grande Teatro:

DSC00314.jpg

Inscrições em latim numa parede:

DSC00324.jpg

Um "thermopolia", espécie de restaurante, e os fogões primitivos:

DSC00326.jpg

O anfiteatro (para 20 mil pessoas), usado em batalhas de gladiatores:

5DSC00335.jpg

Uma residência luxuosa com jardim, pinturas e um pequeno templo:

DSC00337.jpg

DSC00338.jpg

5DSC00341.jpg

Padaria:

DSC00349.jpg

A Casa de Fauno, a maior de Pompéia.

DSC00351.jpg

A Casa da Pequena Fonte:

DSC00353.jpg

Não consegui ver todas as atrações de Pompéia, pois ainda queria subir o vulcão.

Peguei novamente o trem Circumvesuviano e saltei na estação Ercolano Scavi. Lá, peguei uma van que subiu uma estrada sinuosa até bem próximo a cratera. Na van estavam mais alguns turistas alemães, e foi engraçado porque eles ficaram apavorados com a maneira ousada como o motorista italiano dirigia. Nada demais para os padrões brasileiros.

A estrada subindo o vulcão:

DSC00355.jpg

Do estacionamento até a cratera, há uma trilha de terra, algo como 20 minutos de caminhada.

2DSC00365.jpg

A lava da última erupção em 1944.

DSC00359.jpg

O Vesúvio é um vulcão ativo. A erupção mais violenta foi a de 79, que soterrou as cidades de Pompéia, Stabia e Herculano. Antes desta erupção, ele estava inativo durante 1500 anos. Após o ano de 79, entrou em erupção mais de 20 vezes, sendo a última em 1944. Se ele entrar em atividade novamente, matará milhares de pessoas em questão de minutos. Atualmente, cerca de 700 mil pessoas moram em área de risco.

A vista de cima do vulcão:

DSC00373.jpg

A cratera. Ao contrario do que se pode imaginar, não é uma piscina de lava saindo fumaça. É apenas um imenso buraco.

DSC00374.jpg

DSC00376.jpg

Video que gravei na cratera:

Depois de descer o vulcão, ainda fui conhecer o sítio arqueológico de Herculano. Este sítio é bem menor que o de Pompéia, mas está mais conservado, e está localizado dentro da atual cidade de Herculano. Como a lava e as cinzas cobriram a antiga Herculano, ela está vários metros abaixo da atual cidade. Outra coisa interessante é que Herculano é uma cidade litorânea. Quando houve a erupção, a lava e as cinzas cobriram a antiga cidade, e aterrou o mar em 400 metros.

Vista geral do sítio arqueológico:

DSC00399.jpg

A antiga praia, com os "fornicis", que eram garagens para embarcações. A atual praia está a 400m dali, pois a lava e as cinzas aterraram o mar.

DSC00405.jpg

DSC00406.jpg

Pinturas de deuses da mitologia romana:

5DSC00408.jpg

Ruínas de uma casa:

DSC00411.jpg

9DSC00427.jpg

Termas:

DSC00414.jpg

DSC00415.jpg

Voltei para Nápoles, tomei um banho no albergue e fui novamente comer pizza em Spaccanapoli. Desta vez fui na Pizzeria di Matteo, uma pequena e tradicional pizzaria que era frequentada pelo Maradona na época que ele jogava no Napoli (84-91).

DSC00442.jpg

O cardápio na parede. A pizza marinara custava apenas 2,50 euros, e a margherita 3 euros.

DSC00438.jpg

Pedi uma pizza margherita que estava DIVINA !

DSC00440.jpg

Uma espécie de santuário homenageando o Maradona dentro da pizzaria:

DSC00444.jpg

Voltei pro albergue, onde fiquei fazendo uma social com a galera do quarto: um australiano, um alemão e um chinês. Depois, apaguei na cama !

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

[Mochilão 3] Dia 4: Nápoles

Enfim, uma longa e merecida noite de sono, após dois dias sem dormir Acordei novo em folha. No café da manhã no albergue comi pão com Nutella (tinha um balde de 5Kg !).

Dia bonito e ensolarado. Primeiro giretto (volta) pela cidade. Essa é a via Giovanni Melisburgo, a rua do albergue. Num dos andares desse prédio feioso ficava o albergue.

3DSC00166.jpg

Propaganda da Forza Italia, partido do Silvio Berlusconi:

DSC00167.jpg

Via Cristoforo Colombo, em frente ao albergue. É a região portuária da cidade, de onde saem navios e barcos para as ilhas e para a Costa Amalfitana.

DSC00168.jpg

Castel Nuovo:

DSC00170.jpg

Piazza Municipio:

DSC00171.jpg

DSC00177.jpg

Certosa di San Martino, visto da Piazza Municipio:

DSC00172.jpg

Castel Nuovo:

DSC00174.jpg

DSC00176.jpg

DSC00178.jpg

Vista do Castel Nuovo:

DSC00179.jpg

DSC00180.jpg

Certosa di San Martini, visto do Castel Nuovo:

DSC00187.jpg

O porto de Nápoles visto do Castel Nuovo, e o vulcão Vesúvio ao fundo:

DSC00193.jpg

Praça em frente ao Palazzo Reale:

DSC00198.jpg

Palazzo Reale:

palazzo_reale.jpg

4DSC00197.jpg

DSC00199.jpg

DSC00202.jpg

Castel Nuovo visto do Palazzo Reale:

DSC00204.jpg

Basilica di San Francesco di Paola:

DSC00206.jpg

Via Chiaia, uma das ruas de pedestres mais famosas da cidade:

DSC00209.jpg

Andando pela Via Chiaia, entrei nessa estreita viela (Vico Tratoio), que vai subindo pelo bairro de San Ferdinando. Achei bem autêntico o lugar. Pequenas quitandas colocavam as mercadorias na calçada, onde senhoras de aparência simples faziam compras. Não vi turistas. Lambretas subiam e desciam a viela em meio aos pedestres. Nas janelas dos sobrados antigos, roupas penduradas para o lado de fora. Um casal jovem conversava alto numa esquina, quase berrando, como se eles estivessem brigando, mas era só impressão, pois os italianos são assim mesmo. Eu estava penetrando na alma italiana. Senti que ali, longe da badalação dos pontos turísticos, dos restaurantes caros e das lojas de griffe, a Itália era mais Italia.

DSC00210.jpg

DSC00215.jpg

DSC00227.jpg

Uma pitoresca sapataria, com o aviso "APERTO TUTTE LE SERE" (aberto todas as noites):

DSC00211.jpg

Via Partenope:

DSC00220.jpg

Pequena praia de pedras na via Partenope:

DSC00221.jpg

DSC00223.jpg

Galeria Umberto I, próximo ao Palazzo Reale:

DSC00229.jpg

Funicular para subir até o bairro de Vomero, no alto de um morro:

DSC00231.jpg

Sabedoria popular italiana, numa parede em Vomero: "L'alcol è nemico dell'uomo. Chi fugge dal nemico è un vigliacco" (O álcool é um enemigo do homem. Quem foge do inimigo é um covarde)

DSC00232.jpg

Castel Sant'Elmo:

castel_santelmo.jpg

DSC00236.jpg

Vista de Nápoles no Castel Sant'Elmo:

4DSC00251.jpg

DSC00253.jpg

DSC00257.jpg

Video que grave com a vista de Nápoles:

Dei uma volta pelo bairro de Vomero, um dos que achei mais bonitos da cidade. Lembra um pouco Santa Teresa, com as ladeiras e casas antigas.

Depois fui no Museo Archeologico Nazionale, que tem uma coleção incrível de objetos, pinturas e mosaicos romanos retirados das escavações de Pompéia, uma cidade que foi enterrada pelas cinzas do vulcão Vesúvio no ano 76. Este mosaico de animais marinhos, por exemplo, está exposto no museu:

mosaico.jpg

Sentei num banco em frente ao museu pra dar uma descansada, e fiquei reparando no trânsito, que era um caos. Todo mundo buzinava, mesmo sem motivo. As "motorini" (vespas) estão por toda a parte, e parecem não respeitar nada. Quando o sinal fechava, os motociclistas passavam por cima da calçada, desviando dos pedestres. Isso quando não trafegavam na contra-mão. Conseguem ser pior que os motoboys do Brasil !!!

Voltei pro albergue, tomei um banho, e fui no bairro de Spaccanapoli experimentar a famosa pizza napolitana na cidade onde ela foi inventada. Fui na Pizzeria Vesì, e pedi uma pizza margherita. Foi a melhor pizza que já comi na minha vida !!!! Deliciosa !! O tomate cereja praticamente derretia na boca. Para acompanhar, uma cerveja Nastro Azzurro, tradicional de Nápoles. E o melhor, paguei apenas 5 euros pela pizza, mais 2 pela cerveja !

DSC00271.jpg

DSC00272.jpg

Na Itália, as pizzas são em tamanho único, para uma pessoa. Os sabores são diferentes dos que temos no Brasil. Nada de "frango com catupiry", "portuguesa" ou "calabresa". A verdadeira pizza napolitana só é disponível em dois sabores: margherita (muzzarela, tomate, mangericão) e marinara (tomate, azeite, orégano, alho). Em algumas pizzarias existem variações, como a margherita DOC (que tem ingredientes especiais, como muzzarela de bufala), ou a margherita con melanzane (beringela).

Voltei para o albergue, e fiquei conversando com a galera do quarto. Um australiano bem gente boa me deu os mapas que ele tinha, e me passou umas dicas sobre as ilhas de Capri e Ischia. Ele falou que aqueles mapas haviam sido dados por outro hóspede que estava no quarto. Achei maneiro o espírito de cooperação e amizade que existe entre os mochileiros nos albergues.